Nota 1 - Doença ou transtorno mental
Doença ou transtorno mental
14-Jul-2020
Sim, tenho uma doença
mental e por muito tempo preferi esconder devido ao preconceito coletivo que o
faz até ser um tabu.
Eu disse que
"tenho" e não que "sou" um doente mental e existem diversos
transtornos mentais tais como: ansiedade, depressão, esquizofrenia, transtorno
alimentar, estresse pós-traumatico, transtorno bipolar e assim por diante.
Na grande maioria há
tratamentos que possibilitam retornar normalmente às atividades anteriores e
com chances maiores de até ter um rendimento maior porque aprendemos muitas
coisas sobre nós mesmos, vulgo famigerado autoconhecimento.
Tenho enfrentado crises
de ansiedade, pânico e princípios de depressão que foram aos poucos minando
minhas energias e forças, chegando ao ponto de passar dias somente deitado
porque não tinha energia alguma para levantar. Se levantasse ficava logo com
tontura e mais fraqueza que geravam sensação de desmaio ou que iria cair a
qualquer momento.
Sintomas que sentia:
- Palpitações,
coração batendo ou aceleração cardíaca
- Sudorese
- Tremores
ou estremecimentos
- Sensações
de falta de ar ou sufocação
- Dor
no peito ou desconforto
- Náuseas
ou desconforto abdominal
- Sentir-se
tonto, instável, com cabeça leve ou desmaiar
- Calafrios
ou sensações de calor
- Parestesia
(sensações de dormência ou formigamento)
- Desrealização
(sentimentos de irrealidade)
- Medo
de perder o controle ou “enlouquecer”
- Medo
de morrer
- Aumento da pressão sanguínea
Acabei aceitando
indicação de uma psiquiatra e um psicanalista após ter feito muitos, mas muitos
exames e testes que nada foi encontrado de anormal.
A combinação da
medicação e terapia é considerada por muitos profissionais da saúde a forma ideal
para enfrentar as doenças mentais. Estou ciente que há também profissionais que
defendem a não utilização da medicação, mas sim o uso de várias técnicas para
superar os males.
Eu tentei por mais de um
ano essas técnicas porque relutava ao uso da medicação. Tive uma melhora boa ao
longo do tempo, mas a chegada da pandemia e quarentena devido ao covid me
afetaram muito, mesmo que de forma inconsciente, agravaram de vez os sintomas e
então me rendi a medicação e terapia.
Passados quase dois
meses fazendo uso da medicação e sessões de terapia, as crises praticamente
sumiram e pude retomar a rotina de antes. É esperado oscilações, então há dias
que os sintomas aparecem mas de forma mais amena e que passam mais rapidamente.
As sessões de
psicanálise tem sido ótimas para tratar de assuntos que jamais imaginaria que
pudessem me afetar tanto hoje, acontecimentos na infância que me assombram até
hoje.
Um dos assuntos
abordados foi sobre me aceitar como sou. Mesmo tendo comprovações da minha
normalidade ainda existia um diabinho martelando a minha inferioridade. Foram
várias sessões para tratar este tema e felizmente noto que estou aos poucos
extinguindo esse diabinho. Sou muito grato pela ajuda dada por uma amiga que
foi bem solícita e sincera quando conversamos. Suas palavras ajudaram demais
nesta superação.
Outro assunto abordado
foi sobre “amor” e “felicidade”. Que raios significam essas palavras? O que é
amor? O que é felicidade? O que a pessoa sente quando ama ou está feliz?
Estou perto de completar
40 anos e nunca entendi direito essas palavras. Talvez por influência da mídia
me deixei levar que seria algo mágico, algo surreal, que cornetas soariam,
músicas tocariam, anjinhos apareceriam, etc.
Ou talvez por ser de
aquário (apesar de não acreditar nessas coisas de signos).
“Dizem que aquariano é
frio e insensível. Escolhe a dedo os momentos e pessoas com as quais deseja ser
frio como gelo. Está mais ligado ao racional do que ao emocional, emoções
fortes chegam a assustar um pouco, detesta sentir que pode estar “a merce” de
outras pessoas ou de seus sentimentos por elas. Quando ficam assustados com as
manifestações de afeto alheios quase sempre fogem correndo, já que possuem uma
séria dificuldade para relacionar-se afetivamente. Com os amigos, por outro
lado, são mais companheiros, leais e justos.”
Frio e insensível porque
não entendia o que significavam ou não sabia identificar, diferenciar, sentir
as palavras amor e felicidade.
Certa vez ouvi de um
senhor chamado Tadashi Kadomoto a seguinte frase “A maior viagem que já fiz foi
do cérebro para o coração”. Na época não entendi muito bem, mas agora começo a
vislumbrar alguma luz.
Ter estudado muito sobre
auto-ajuda e desenvolvimento pessoal desde 2018 e agora sobre espiritualidade e
espiritismo aliado as sessões de terapia têm ajudado bastante.
Não estou dizendo que
agora descobri o que sejam, mas acho que estou começando a perceber alguma
coisa após refletir sobre isso por algumas semanas.
No momento o que vem a
mente sobre felicidade que passei levemente a perceber e sentir são os breves instantes
ou situações que me fizeram sentir bem. A visita que fiz a uma plantação de
girassóis junto com minha mãe é um exemplo. Ver aquele campo imenso coberto de
girassóis, a sensação de paz e harmonia e a alegria da minha mãe por estar
naquele lugar acredito ter sido um momento de felicidade pq me senti bem.
No passado quando visitava
montanhas ou me aventurava em cidades desconhecidas também me traziam um bem
estar, penso que também foram momentos de felicidades.
As várias vezes que fui
junto com amigos tomar cafés gourmet em diversas cafeterias em Campinas e região
hoje penso que foram momentos de felicidades porque me sentia bem sair com eles
para curtir uma boa conversa com um café excelente junto com o calorzinho de
fim de tarde.
E também as reuniões de
família e refeições em família.
Amor, eis algo que foi mais
difícil para eu entender, compreender, assimilar, saber o que é, sentir,
vivenciar.
Hoje em minha mente não
cheguei ainda a alguma conclusão, mas acho que consegui definir o que não seja
amor. Penso que amor não seja algo pesado, forçado, pressionado, fingido,
exagerado, impulsivo, obsessivo, doentio, pegajoso e exacerbado. Talvez seja o
oposto, algo leve, natural, espontâneo, confiável, saudável, suave, delicado,
sutil, querer estar ao lado e sentir-se bem, dedicação mas sem se sentir
obrigado, respeitar, se preocupar mas sem exageros, desapegado, sincero e simples.
Com base nisso, acredito
que o que senti no último namoro foi amor, pelo menos no começo e durante
vários anos. Mas, nos últimos, por ignorância minha e descontrole emocional
total para lidar com o estresse profissional, pus tudo a perder. Prejudicando
não somente o namoro mas também os pais pelo meu mau humor, falta de paciência
e irritação.
Meses atrás penso que o
que senti por uma moça foi amor também porque me sentia bem ao dela, a conversa
fluia junto com o tempo, gostava da companhia, da animação, alegria e
entusiasmo. E mais ainda penso que foi amor porque mesmo ela não sentindo o
mesmo, deixá-la ir e desejar que encontrasse alguém que a fizesse feliz foi
algo que realmente senti e permeou meus pensamentos.
Percebi também que
existem diversas formas de expressão do amor que às vezes interpretamos como encheção
de saco, birra, chatice ou insistência. Mas, é a única forma como a pessoa
consegue expressar o que sente. Sejam amigos pegando no seu pé para você
procurar ajuda médica, pais oferecendo sem parar coisas mesmo não precisando ou
falando para colocar blusa porque está frio.
Quem sabe refletindo
mais sobre esta palavra Amor eu consiga finalmente definir o que Deus significa
para mim. Mesmo estudando a fé raciocinada do espiritismo ainda falta-me algo
para acreditar.
Parafraseando o mestre
Chico Xavier: "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,
qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."
Com essa frase em mente,
tenho me esforçado para melhorar meus pontos fracos realizando o que os
espíritas chamam de Reforma Íntima, outros como Expansão da Consciência, Viagem
ao Interior, Desenvolvimento Pessoal, etc.
MMM
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